O que é a metodologia Lean e como se aplica numa PME Industrial
“Os ganhos mais comuns que vemos em projetos bem conduzidos são redução de tempos de ciclo, aumento de produtividade sem necessidade de mais recursos, menos defeitos e maior envolvimento das equipas de produção no dia a dia. ”
A metodologia Lean é uma forma de gerir e organizar processos que procura eliminar desperdício e aumentar o valor entregue ao cliente. Numa PME industrial isto traduz-se num diagnóstico dos processos existentes, seguido de ciclos de melhoria nas áreas de produção, logística e organização do trabalho. Ao contrário do que muita gente pensa, não exige grandes investimentos em equipamento nem estruturas complexas de gestão. A metodologia Lean é uma forma de gerir e organizar processos que procura eliminar desperdício e aumentar o valor entregue ao cliente. Numa PME industrial isto traduz-se num diagnóstico dos processos existentes, seguido de ciclos de melhoria nas áreas de produção, logística e organização do trabalho. Ao contrário do que muita gente pensa, não exige grandes investimentos em equipamento nem estruturas complexas de gestão.
Os princípios que sustentam o Lean
O pensamento Lean assenta em cinco ideias centrais. A primeira é definir valor: perceber, de facto, o que o cliente valoriza e está disposto a pagar. A segunda é mapear o fluxo de valor, ou seja, olhar para todas as etapas de um processo e separar o que acrescenta valor do que é puro desperdício. A terceira é criar fluxo contínuo, eliminando paragens e retrabalho entre etapas. A quarta é produzir em função da procura real e não de previsões (o chamado sistema pull). E a quinta, que costuma ser a mais difícil de instalar culturalmente, é a procura constante da perfeição. O Lean não tem um ponto de chegada.
Os desperdícios que se procura eliminar
Quem trabalha numa linha de produção reconhece facilmente estes problemas: excesso de produção, tempos de espera, transporte desnecessário de materiais, processamento a mais do que o necessário, stock acumulado, movimentos inúteis das pessoas e defeitos que geram retrabalho. Mais recentemente tem-se falado também de um oitavo desperdício, o do potencial das pessoas que não é aproveitado, e que na nossa experiência é muitas vezes o mais caro de todos. Na IMBS, depois de mais de uma década a trabalhar com PMEs portuguesas, costumamos ir um pouco mais além destes oito e falar em dez desperdícios, acrescentando dois que raramente aparecem na literatura clássica do Lean mas que vemos constantemente no terreno: o desperdício Comercial e o desperdício Digital. O desperdício Comercial mostra-se, por exemplo, em rotas comerciais pouco eficientes, em tempo de contacto efetivo com o cliente que é muito menor do que parece à primeira vista, ou em atenção comercial dispersa por demasiadas frentes ao mesmo tempo, sem foco nas contas que realmente merecem mais tempo. O desperdício Digital, por sua vez, aparece sobretudo na desorganização dos dados mestre: informação repetida ou inconsistente entre sistemas, que obriga as equipas a validar e corrigir manualmente algo que devia estar certo à partida. Nenhum destes dois substitui os oito desperdícios clássicos, mas na nossa experiência são frequentemente os mais difíceis de ver a olho nu, precisamente porque não acontecem numa linha de produção visível, e por isso ficam por resolver durante anos numa empresa.
Como funciona um projeto Lean, na prática
Um projeto Lean começa quase sempre no terreno. Antes de qualquer plano de ação, é preciso ir ver como as coisas realmente acontecem (o que os praticantes chamam de gemba), falar com as equipas e perceber onde estão os pontos de fricção reais, que muitas vezes são diferentes daquilo que a gestão imagina à partida. A partir daí escolhem-se as áreas com maior impacto potencial, normalmente onde o desperdício é mais visível ou tem maior custo associado, e trabalha-se em ciclos curtos de melhoria: planear, executar, verificar e ajustar. Este ritmo permite testar soluções em pequena escala antes de as generalizar a toda a fábrica, o que reduz muito o risco de erros caros. Ao longo do processo entram ferramentas como o 5S para organizar o espaço de trabalho, gestão visual para tornar os problemas óbvios a olho nu, standard work para uniformizar a melhor forma conhecida de fazer uma tarefa, ou o SMED para reduzir tempos de mudança de ferramenta. Nenhuma destas ferramentas é aplicada por rotina; usam-se as que fazem sentido para os problemas identificados no diagnóstico. A última fase, e provavelmente a mais negligenciada pelas empresas que tentam fazer isto sozinhas, é consolidar os ganhos e formar equipas internas capazes de continuar o processo sem depender de apoio externo para sempre.
Quanto tempo demora?
Cada ciclo de melhoria numa área específica costuma levar entre três a seis meses, com resultados visíveis em indicadores operacionais já nas primeiras semanas: tempo de ciclo, taxa de defeitos, produtividade. Dito isto, seria enganoso falar de um "fim" do projeto. A transformação Lean só é real quando a melhoria contínua passa a fazer parte da cultura da empresa, e isso não tem prazo.
Que resultados se pode esperar
Os ganhos mais comuns que vemos em projetos bem conduzidos são redução de tempos de ciclo, aumento de produtividade sem necessidade de mais recursos, menos defeitos e maior envolvimento das equipas de produção no dia a dia. O impacto financeiro varia muito consoante o ponto de partida de cada empresa, mas não é incomum observar reduções de custos operacionais de dois dígitos em percentagem nas áreas trabalhadas.
Consultoria externa ou equipa interna?
Esta pergunta surge em quase todas as primeiras conversas que temos com um cliente, e a resposta raramente é uma coisa ou outra. Um consultor externo traz metodologia já testada, uma visão de fora do dia a dia da fábrica e experiência acumulada noutros setores, o que costuma acelerar bastante a fase inicial de diagnóstico e os primeiros resultados. Mas se o projeto ficar eternamente dependente do consultor, alguma coisa correu mal. O objetivo de um bom projeto Lean é sempre deixar a equipa interna capaz de continuar sozinha. As empresas que combinam apoio externo bem estruturado com a formação de "campeões" internos de melhoria contínua costumam sustentar melhor os ganhos ao longo dos anos. Na IMBS trabalhamos desde 2014 com mais de 90 clientes portugueses, entre PMEs e empresas de maior dimensão, em mais de 18 setores de atividade, combinando Lean e excelência operacional com transformação digital, e é essa combinação que normalmente distingue um projeto que gera resultados duradouros de um que se perde ao fim de alguns meses.
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PERGUNTAS FREQUENTES
FAQs
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O Lean só se aplica à indústria?
Não. Nasceu na indústria automóvel, mas os princípios aplicam-se a qualquer processo com fluxo de trabalho, seja produção, logística, back-office administrativo ou serviços.
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É preciso investir em tecnologia para implementar Lean?
Não necessariamente. A maior parte dos ganhos iniciais vem de reorganizar processos e mudar comportamentos, não de comprar equipamento novo. Ferramentas digitais, como dashboards de gestão visual, ajudam a sustentar os ganhos mais tarde, mas não são um pré-requisito para começar.
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Qual a diferença entre Lean e Six Sigma?
O Lean foca-se em eliminar desperdício e tornar o fluxo mais rápido. O Six Sigma foca-se em reduzir a variabilidade e os defeitos através de análise estatística. Muitas empresas acabam por combinar as duas abordagens.
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Quantos desperdícios existem no Lean?
A literatura clássica fala em sete ou oito, mas o número não é fechado. Na IMBS, por experiência de terreno, trabalhamos com dez, acrescentando o desperdício Comercial e o desperdício Digital aos oito habituais.
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Faz sentido para uma empresa pequena, com poucos recursos?
Sim, e muitas vezes é nas empresas pequenas que os resultados aparecem mais depressa, exatamente porque há menos burocracia a atravessar até uma mudança ser implementada.